Era pós-PC e jornalismo

era pos-pc

A noção de “era pós-PC” não é recente. Entretanto, a expressão se popularizou a partir do lançamento do tablet iPad 2 da Apple  e da expansão dos serviços de nuvem como iCloud, Dropbox, Google Drive e similares. Algumas combinações do avanço tecnológico favoreceram a visibilidade desse contexto como: (a) a emergência dos dispositivos portáteis com memória flash como os tablets, smartphones e e-readers; (b) a sincronização de arquivos como iCloud e Dropbox ou de acesso em nuvem como o Google Docs para produção online; (c) os aplicativos (apps) dinâmicos para acesso, produção/edição ou geolocalização e distribuição de conteúdos; e (c) o crescimento e aperfeiçoamento da banda larga móvel 3G e 4G. O vídeo abaixo de Steve Jobs, durante o anúncio do iPad 2 em 2011, reflete um pouco essa espécie de divisor de águas da constatação do momento.

No início da década de 1990, Mark Weiser (1991) já apregoava essa era pós-PC com sua noção de computação ubíqua no célebre artigo “the computer for 21st century” em que argumentava a fusão entre hardware e software de uma forma invisível, desaparecendo nos objetos e processos. “The most profound technologies are those that disappear”. O título do próprio artigo de Weiser já carregava a compreensão de que apenas no século XXI a computação e as redes sem fio estariam devidamente desenvolvidas para acomodar a ubiquidade no sentido computacional.

COMO TUDO ISSO SE RELACIONA COM O JORNALISMO CONTEMPORÂNEO?

Aproximando do campo jornalístico, a computação em nuvem com a era pós-PC complexifica essas relações com o jornalismo cada vez mais imerso nesse contexto da sociedade em rede móvel (ubíqua, conectada), como coloca Manuel Castells (2006). O jornalismo móvel gradativamente se beneficia dessa hibridação entre tecnologias e processos em redes móveis de alta velocidade que permite a mobilidade líquida (informacional, virtual, física) no desdobramento das condições ora disponíveis para a prática dos jornalistas e do consumidor na recepção das notícias. Para uma melhor compreensão contextual, seguem alguns  argumentos partilhado pela sequência de desenvolvimentos de tecnologias e aplicações interdependentes pertencentes à  composição do cenário exposto.

Primeiro, deve-se ater à particularidade da era pós-PC como uma nova infraestrutura (de redes, de dispositivos conectados) que afeta as formas de lidar com os dados (fotos, vídeos, fotos, textos) não mais alocados no hardware para upload, mas sim nos sistemas online (na nuvem) com instantaneidade de processamento. Segundo, os aplicativos (apps) ou o formato web app em linguagem HTML5 são a ponte para otimização do trabalho de forma mais flexível demandando uma lógica atualizada com os princípios da computação ubíqua. Terceiro, a produção jornalística de campo pode incorporar essa infraestrutura para tornar mais factível o trabalho do “repórter móvel” que tem agora à disposição três fatores técnicos: redes em alta velocidade (tecnologia de quarta geração, o 4G), tecnologias portáteis mais maleáveis para o deslocamento físico (smartphones e tablets), câmeras em HD ou full HD embarcadas nos dispositivos e os serviços da computação em nuvem para disponibilizar a produção o mais instantâneo possível ou compartilhar notícias. Mas não é só isso. O processo de apuração também é beneficiado pelo acesso remoto aos bancos de dados da organização jornalística ou de outras bases disponíveis no ciberespaço, de modo que a redação se constitui em ambiente móvel.

Portanto, quando indica-se esse conjunto de fatores fica mais palpável a relação entre a era pós-PC e o jornalismo e os desdobramentos que estão já presentes no dia a dia ou por vir tanto na perspectiva de produção quanto de consumo de notícias em mobilidade a partir de um dispositivo na palma da mão tendo em vista que há uma relação intrínseca entre uma perspectiva e outra. O usuário de tablet, e-reader, smartphone ou outro equipamento do ecossistema móvel está ficando mais propenso ao consumo de informações em movimento por ter um dispositivo mais substitutivo de suas tarefas do desktop.

Pesquisa da Alliance for Audited Media (uma espécie de IVC americano) revela que 90% jornais e revistas dos EUA já possui algum tipo de aplicativo móvel de suas publicações (foto abaixo), o que significa que já há um público altamente conectado nos portáteis consumindo notícias e que os modelos de negócios dessas empresas caminham para essa percepção das plataformas portáteis. O relatório “post-industrial journalism: adapting to presente” mostra um pouco dessa mutação no jornalismo americano (mas pode ser replicado a outros países, com as devidas proporções) com a difusão de plataformas e os desafios com as mudanças estruturais que se vivencia alterando, neste sentido, a própria concepção do jornalismo construído ao longo do século XX.

Expansão dos apps no jornalismo

 

 

 

 

 

 

 

Em meio à computação em nuvem da era pós-PC do universo da comunicação móvel temos os processos de convergência jornalística nos conglomerados da indústria da informação e este cenário faz sentido para a estruturação de suas operações  multiplataformas. Além do aspecto de distribuição está em jogo também a necessidade do trabalho cooperativo entre as equipes externa e da redação física  para efeito de atualização das notícias mais quentes em redes sociais diretamente do local do evento, para transmissão em streaming de áudio, vídeo ou envio de fotos geolocalizadas dentro da concepção de jornalismo locativo. Em síntese, é necessário problematizar esse fenômeno emergente do jornalismo com reflexo em múltiplas esferas da prática jornalística e do consumo de notícias (recepção). O vídeo abaixo, produzido pela Cisco, mostra situações de trabalho remoto e colaborativo que se aplicam perfeitamente ao jornalismo para a nascente era pós-PC. Voltaremos ao assunto.

Livros digitais no Brasil. O que acontece agora?

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O Brasil está gradativamente entrando no circuito do consumo de livros digitais. Depois da iBookstore (da Apple), a Amazon e a Google aportaram no país com a venda de ebooks, além da Saraiva e Livraria Cultura, que já comercializavam livros em formato e-pub. Em relação a essas duas nacionais, careciam de mais competição para tornar os livros digitais  mais atraentes tendo em vista que o preço praticado era praticamente era o mesmo das versões de papel.

Mesmo com as novas empresas, por enquanto ainda não visualizamos uma mudança tão radical no mercado em termos de preços. As editoras ao negociarem conseguiram impor seu poder de barganha para Amazon, Google e Apple, depois de anos de negociações,  de forma que o consumidor continua preso ao modelo de negócios basedo apenas no lucro das editoras que querem equilibrar a mesma logística para o impresso e digital como se fosse a mesma coisa e a mesma lógica.

Esse cenário pode mudar em breve e as editoras serão forçadas a reduzir os valores para aquisição de arquivos digitais das publicações porque não justifica a equiparação impresso-digital em termos do que é cobrado. Com os novos dispositivos de leitura que começam a adentrar ao país via Amazon e outras editoras virtuais indicam que a cultura da mobilidade também chegará aos livros, revistas e jornais. Além do ebook, Google Play e Apple Store já vendem ou alugam filmes. A Netflix também está nesse jogo de consumo online.

Portanto, vale a pena acompanhar e experimentar esses novos tempos. A chegada das livrarias como Amazon e Apple ainda não significa nada, não causou nenhuma revolução e nem deve ocasionar em curto prazo. Entretanto, é possível que em breve possamos volta a esse espaço para dizer que no Brasil os livros digitais vendem mais que os livros impressos pela primeira vez. E, esperamos, por dois motivos: (1) livros digitais mais baratos que os impresso; (2) leitores de livros (e-reader ou tablets) também mais em conta para o consumidor. E, claro, um acervo de qualidade e quantidade que justifique a mudança de hábito. Voltaremos a explorar com mais profundidade este assunto.

Novo lugar…

O blog http://jornalismomovel.blogspot.com (redirecionado para cá) foi o primeiro ou um dos primeiros do país a discutir a questão do jornalismo móvel no longíquo 2007, que para efeito de dinâmica de mudanças tecnológicas é um tempo significativo. O espaço surgiu como diário de bordo de pesquisa de doutorado e ampliou suas finalidades e público: do acadêmico para um público geral que começava a despertar para o “mundo móvel”, para a “cultura da mobilidade”.

Entretanto, estudantes de jornalismo, professores de jornalismo  e jornalistas de empresas de comunicação (compreendido em uma dimensão multiplataforma) são, sem dúvida, os principais visitantes do espaço. Todavia, devido a nova lógica de abrangência que as tecnologias móveis digitais desencadeiam e impactam na vida econômica, cultural, nos novos hábitos de consumo, educação e etc. nas práticas sociais mediadas por dispositivos móveis, a discussão vai muito além da cultura jornalística e suas práticas permitindo que os assuntos aqui discutidos interessem a um número maior de pessoas pelas finalidades às mais diversas.

O blog esteve parado. Os motivos do abandono do espaço por um longo período se deve, sobremaneira, por questões pessoais relacionadas a problemas de saúde na coluna, que me perseguem desde 2006 e que, em alguns períodos, como os mais recentes, impõem uma reordenação das atividades com o afastamento obrigatório ou voluntário (alguns momentos)  do uso de computadores.

Novas motivações (e condições físicas e mentais) me trazem de volta ao prazer de blogar, de compartilhar, de interagir e de refletir sobre esse “mundo móvel”, que está cada vez mais presente e em movimento. Não pretendo estabelecer um compromisso de postagens diárias, mas sempre que algo me motivar à reflexão estarei aqui para postar meus pensamentos e discutir com os interessados e, à medida do possível, trazer posts mais densos que possam aprofundar questões fundamentais para pensar a mobilidade e o jornalismo.

Neste sentido, resolvemos retomar o blog em um novo domínio (www.jornalismomovel.com.br) para que possamos explorar outras condições técnicas e de expansão da visibilidade do mesmo. Espero que este novo momento seja tão estimulante quanto foi no início da criação do blog. Novos projetos atrelados emergirão ao longo de 2013 para expandir o trabalho. Aguardem!

Agradeço aos que, mesmo sem atualizações, se mantiveram fiéis ao antigo blog (conforme o Analytics revela). Sugiro que curta nossa fan page na rede social facebook, adicione nosso blog no seu agregador de RSS ou acompanhe as postagens por email. Enfim, sejam bem-vindos!

Ciclo de debates aborda cibercultura e comunicação em redes digitais


O Departamento de Comunicação Social da UEPB, através do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Cultura e Desenvolvimento e da Pro-Reitoria de Pós-Graduação, realiza no dia 14 de março (nos turnos da manhã, tarde e noite), em Campina Grande – PB, o I Ciclo de Debates em Comunicação e Jornalismo Contemporâneos. As discussões, que ocorrerão no próprio Departamento, girarão em torno do tema central do evento: Cibercultura, Teorias e a Comunicação em Redes Digitais.

A conferência de abertura, às 9h30, será com o Prof.Dr, André Lemos, da Universidade Federal da Bahia – UFBA, que abordará o tema Comunicação, Cibercultura e Teoria Ator-Rede. Lemos é o maior especialista brasileiro em cibercultura com 13 livros publicados na área. Tem doutorado em sociologia pela Universidade René Descartes, Paris V, Sorbone; pós-doutorado pela University of Alberta e McGill University, Canadá e foi presidente da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – COMPÓS e coordena o Grupo de Pesquisa em Cibercidades – GPC/UFBA.

Às 11h30 ocorrerá o lançamento de três livros do conferencista: “Cibercultura. Tecnologia e vida social na cultura contemporânea” (André Lemos, Sulina, 2010, 5ed.), “O futuro da Internet” (André Lemos e Pierre Lévy, Paulus, 2010), “Comunicação e mobilidade: aspectos socioculturais das tecnologias móveis de comunicação no Brasil” (André Lemos e Fábio Josgrilberg, EDUFBA, 2009).

OFICINAS E MESA REDONDA
Das 14 às 17h ocorrerão simultaneamente quatro oficinas voltadas para estudantes e profissionais de jornalismo, arte e mídia, publicidade e propaganda e áreas afins. “Jornalismo Digital e infografia” (Adriana Alves Rodrigues), “A fotografia digital como registro do cotidiano” (Hipólito Lucena), “Computação gráfica 3D para mídias e entretenimento” (Hélio Meireles) e “Videografia básica para novas mídias” (Emerson Saraiva).

Às 19h, será lançado o novo projeto do Departamento de Comunicação Social, o portal “Repórter Universitário”, que visa acolher a produção multimídia de alunos e professores e servir como ambiente de divulgação de eventos, seleções de professores, trabalhos de extensão e o noticiário referente ao jornalismo.

Às 19h30 ocorrerá a segunda sessão de lançamento de livros com os seguintes títulos: “Metamorfoses Jornalísticas II: a reconfiguração da forma” (Demétrio de Azeredo Soster e Fernando Firmino da Silva), “Dionísio na idade mídia: estética e sociedade na ficção televisiva seriada” (Cláudio Paiva), “Afrodite no Ciberespaço: a era das convergências” (Claudio Paiva, Marina Magalhães e Allysson Viana Martins), “Produção e colaboração no jornalismo digital” (Carla Schwingel e Carlos Zanotti).

Às 20h, começarão as apresentações e debates em torno da mesa redonda “Jornalismo em Redes Digitais” com as discussões sobre: Mediação da Participação do Público: o caso Eu q Fiz (Ricardo Oliveira, coordenador de mídias digitais da Rede Paraíba de Comunicação), As mídias abertas da América Latina e do mundo (Claudio Cardoso Paiva, prof. UFPB), Tecnologias móveis e jornalismo (Fernando Firmino da Silva, prof. UEPB), TV digital, construção do real e mediadores públicos (Águeda Miranda Cabral, profa. UEPB), A contribuição do Jornalismo Científico nas Redes Digitais (Patrícia Rios, profa. UEPB/FACISA).

O EVENTO
O Ciclo de Debates em Comunicação e Jornalismo Contemporâneos se propõe a discutir, periodicamente, a partir de mesas redondas, palestras e conferências, os processos comunicacionais e as práticas jornalísticas da atualidade. As abordagens girarão em torno das mudanças tecnológicas no fazer midiático e jornalístico, dos processos de mediação e convergência cultural das novas estratégias de apropriações e redes sociais. Pensadores, pesquisadores e profissionais de referência no cenário nacional e internacional serão convidados para debater, com professores, estudantes e os demais segmentos da sociedade, as tendências e os desafios contemporâneos da comunicação e do jornalismo.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Veja programação completa ou cartaz do ciclo de debates. Dúvidas passar email para fernando.milanni@globo.com