Tecnologia inédita de transmissão de texto em tempo real é utilizada na Espanha


Parceria entre a ADN.es e a empresa Qik proporcionou a transmissão ao vivo com texto, fotos, áudio e vídeos da inauguração do trem AVE de alta velocidade de Madri à Barcelona. Foram utilizados celulares Nokia N95 com um aplicativo específico que permitia a transmissão pioneira de textos ao vivo (ou seja: o texto é construído e visto na tela simultaneamente à digitação do repórter). Veja o resultado da experiência, as fotos do trem bala e os vídeos produzidos em tempo real. Abaixo transcrição da reportagem com os detalhes dos dispositivos móveis utilizados e os aplicativos.

“Suena raro pero es fácil de explicar. La colaboración entre ADN.es y la empresa Qik nos ha permitido hoy retransmitir en directo el viaje de los dos AVE que conectan Madrid y Barcelona. Lo hemos hecho gracias a una aplicación informática diseñada por esta pionera empresa de nuevas tecnologías. El programa se instala en nuestros móviles N95 y nos permite transmitir vídeo, audio y también -y aquí está la verdadera novedad- texto en directo. Cuando el reportero está emitiendo, los usuarios pueden ‘chatear’ con él sugiriéndole preguntas o acciones.
Todo esto a la misma velocidad que el AVE, más rápido que la televisión, la radio y, desde luego, que cualquier otro medio digital. El periodismo y la tecnología, como explica el co-fundador de Qik, hermanados más que nunca abriendo una línea directa entre el usuario y el periodista.
En ocasiones se crea un pequeño retraso. El vídeo, por decirlo así, se acumula, y se emite íntegro más tarde. Qik guarda todos los vídeos, cada uno con una dirección distinta.
Ahora ya no están ‘online’ pero puedes leer las crónicas y los vídeos de nuestros reporteros Diego Casado (Madrid-Barcelona) y Joel Albarrán (Barcelona-Madrid). Tú también puedes emitir tus vídeos en Qik, avísanos si lo haces (adntv@adn.es) porque en breve crearemos un canal en ADNtv para emitirlos.”

Jornalistas e a internet móvel

Interessante artigo de Tariq Saleh, "Internet móvel ajuda jornalistas em Beirute", publicado no Jornalistas da Web (http://www.jornalistasdaweb.com.br). O texto trata do uso da internet móvel através de modem de conexão USB chamado Mobi (similar aos vendidos pelas operadoras de telefonia no Brasil como o Tim Web) e um laptop para acessar a web e fazer o upload de material produzido. Os correspondentes internacionais são os mais beneficiados. Tariq é um destes correspondentes (da BBC, Folha de S.Paulo) que utiliza o serviço e destaca a mobilidade proporcionada: "Jornalistas no líbano (inclusive eu, já que também adquiri um Mobi) podem se beneficiar da mobilidade para cobrir eventos e enviar seu material no local".

Celular: uma ferramenta do jornalista

Jeff Jarvis, no The Guardian, publicou um artigo em que descreve sua experiência na cobertura do Fórum Econômico de Davos como repórter do projeto de Jornalismo Móvel da Reuters. Com um Nokia N82, postou fotos e vídeos e narrativas multimídias. Para Jarvis, o cellphone é a nova ferramenta para a prática jornalística por permitir mais flexibilidade, mais mobilidade e agilidade no processo de produção jornalística no campo: “All journalists, in print and broadcast, whether desk-bound or mobile, should be equipped as mojos [mobile journalists]. The N82 can upload or broadcast while mobile and can be used to send photos to Flickr and tweets to Twitter”.

Veja vídeos produzidos durante a experiência na Reuters e leia trechos do artigo abaixo:

“We already know that camera-phones in the hands of witnesses have been changing news. There is no better illustration of this, so far, than the 7/7 bombings. However, these tiny devices may well change the job of the journalist in ways more radical than even I could ever have imagined.At last month’s World Economic Forum meeting in Davos, I begged my way into a Reuters’ mojo (mobile journalist) project and was one of a score of delegates and reporters to get a Nokia N82 mojo phone. Reuters picked the phone because it has a high-quality camera and operates at high speed. For their own journalists, they kit it out with a wireless keyboard, a tiny tripod, a solar battery and a decent microphone, together with software that enables reporters to organise and publish text, photos, and video on to blogs.”

As tecnologias móveis digitais [celulares, smartphones, por exemplo] estão realmente apontando para transformações no dia-a-dia dos jornalistas no seu trabalho de reportagem. Em situações de cobertura de assuntos mais delicados como acidentes, reportagens de campo o uso destes dispositivos oferecem novas condições técnicas para uma cobertura móvel. Tempo real, instantaneidade, mobilidade e ubiquidade caracterizam bem estes desdobramentos do jornalismo atual. Com a banda larga da tecnologia 3G dos celulares as possibilidades se alargam para limites ainda não bem definidos. Entretanto, a experiência da Reuters com o jornalismo móvel já sinaliza que, de fato, o celular se tornou uma plataforma de produção jornalística. Produção e difusão de conteúdo convergem para este pequeno e poderoso aparelho.

Difusão e produção de conteúdo no celular

Renato Cruz, no seu blog sobre tecnologia do Estadão, traz um post ( do celular para a internet) que merece comentário. Ele destaca que o celular, com a banda larga e outros recursos, se tornou uma “ferramenta para enviar textos, fotos e vídeos para a internet”. E mais: uma pesquisa encomendada pela Nokia ao The Future Laboratory indica que brasileiros entre 18 e 34 anos (42% dos entrevistados) publicam conteúdo na internet através do aparelho celular. Para ilustrar o post Renato Cruz traz alguns depoimentos de blogueiros e usuários de microblogs que realizam boa parte das atualizações via celular ou smartphone.

COMENTÁRIO: de fato observa-se que os dispositivos móveis digitais (smartphones, celulares) se tornam aparelhos comuns e sofisticados para a difusão e produção de conteúdo. Para isto ocorreram nos últimos anos uma série de evoluções acerca das conexões sem fio disponíveis (wi-fi, GPRS, banda larga) e das funções embutidas nestes dispositivos (câmera de vídeo e foto, áudio, web, email, editores de textos). Os smartphones, principalmente, oferecem uma compatilibilidade de recursos próximos ao de um desktop. Sem falar na possibilidade de instalação de uma infinidade de aplicativos de acordo com a necessidade. Eu sou um destes usuários de palmtops e smartphones e praticamente escrevo meus artigos e projetos quase exclusivamente neles, além de postar fotos e textos através do celular para blogs e Twitter. As vantagens estão exatamente na mobilidade, na ubiquidade por carregá-lo sempre comigo e na preservação da coluna (posso escrever em pé). As desvantagens referem-se ainda a questões de interface dos aparelhos (precisam ser aperfeiçoadas) e da dependência que se cria para alguns. Em síntese: o que pretendo com este comentário é observar que os estudos na área de comunicação precisam identificar estes fenômenos e perceber que os dispositivos móveis digitais, com todas estas possibilidades, apresentam novas interfaces (espaço urbano-ciberespaço), rotinas e efeitos. No Brasil já são mais de 120 milhões de celulares, segundo a Anatel. O acesso e a produção de conteúdo para navegação nestes portáteis são tarefas instigantes a serem analisadas. É a mídia móvel.