TV Cultura: na programação, microblogs e transmissão integrada para a Web

Tiago Doria traz um interessante post sobre a transmissão do Roda Viva da TV Cultura que  mistura vídeo, microblogs e transmissão em streaming. Com TwitterMogulus e Cover It Live e a participação ativa do público a TV Cultura é um dos poucos canais de televisão no Brasil a entender para onde caminha as mídias. A integração destes ferramentas estão proporcionando novas potencialidades para coberturas ao vivo. A TV Cultura já vinha experimentando o Twitter.
Em novembro estarei na Metodista de São Paulo apresentando na SBPJor um paper que trata desta interface entre as mídias de massa e as mídias de funções pós-massivas com os novos dispositivos de comunicação que permitem transmissões instantâneas em streaming ou textuais via celular ou outro portátil .  O artigo se chama “Jornalismo live streaming: tempo real, mobilidade e espaço urbano“.  Algumas questões que coloco no artigo são: como estas novas ferramentas estão sendo incorporadas ao jornalismo? Que alterações trará para a produção e difusão de conteúdo jornalístico? Como o cidadão participa deste processo? Que aberturas podem ocorrer com as transmissões no suporte web móvel? Haverá uma competição entre o “ao vivo” da televisão e rádio com o “tempo real” da internet e de dispositivos móveis ou uma reorintação da produção jornalística que compatibilize as diversas aplicações em multi-plataformas? 
Na programação das mesas temáticas da SBPJor também há outros artigos que abordam o Twitter como ferramenta jornalística a exemplo do de Gabriela Zago intitulado o Twitter como suporte para produção e difusão de conteúdo jornalístico; e também o Marcelo Träsel com o artigo O uso de microblog como ferramenta de interação da imprensa televisiva com o público. Será um debate bem instigante tendo em vista o interesse cada vez mais crescente pela temática dos microblogs e das transmissões através destas ferramentas. 
Veja abaixo a descrição da experiência de ontem da TV Cultura por Tiago Dória: 
“Na noite desta segunda-feira, acompanhei a primeira “transmissão experimental participativa” do programa Roda Viva feita pela TV Cultura. A transmissão que, antes era realizada com o auxílio do Twitter, contou desta vez com o uso de uma câmera que mostrava os bastidores do programa ao vivo pela internet.

Você acompanhava o Roda Viva ao vivo pela TV e, ao mesmo tempo, durante o programa ou os intervalos, podia conferir na web uma câmera que mostrava os bastidores. Programa ao vivo na TV. Bastidores ao vivo na web.

Para entender como tudo funcionou entre nesta página. O esquema foi parecido com a integração que a Multishow fez com o Twitter durante a transmissão do Prêmio Multishow.

Em uma página, você assistia à transmissão ao vivo pelo site e acompanhava na mesma tela os comentários feitos por usuários do Twitter sobre o programa no box “Roda Viva no Twitter”.

O uso do box foi um avanço em relação à integração anterior que a TV Cultura fazia com o Twitter. Permitiu que uma pessoa que não tivesse a ferramenta ou nem soubesse o que era o Twitter pudesse acompanhar as mensagens/comentários. Fora isso, fotos eram publicadas direto dos estúdios no box “Fotos dos bastidores” e a cobertura do programa seguia no box “Live blog”.”

Band Repórter Celular


A Band continua utilizando o celular para produção de matérias ou entradas ao vivo. O telejornal “Primeiro Jornal” abre espaço para o Band Repórter Celular.  O curioso é que este nome “Repórter Celular” era utilizado em 2005 em projeto similar da TV Alterosa de Minas Gerais, vinculada aos Associados. 
As imagens acima são do programa do dia 28 de abril de 2008 e de hoje. 

Penetração das tecnologias móveis

Estou lendo o livro de James Katz “Handbook of Mobile Communication Studies“, lançado este ano. O livro traz uma série de artigos que aborda a comunicação móvel e sua penetração em diversos ambientes da vida social e econômica das pessoas. Este tema é constante no nosso Grupo de Pesquisa em Cibercidades da UFBA visto que a maioria das pesquisas de mestrandos e doutorandos liderados pelo professor André Lemos está voltada para o mapeamento deste fenômeno e a exploração de suas facetas em práticas como mídia locativa, jornalismo móvel, smart mobs.
Bem, fiz este preâmbulo para fazer referência a foto acima registrada num restaurante de Natal durante o INTERCOM 2008, em setembro. A penetração das tecnologias móveis é visível no cotidiano das grandes, médias e pequenas cidades, representada principalmente pelo celular. Mas esta expansão vai além do uso pessoal de telefones móveis para comunicação entre as pessoas, familiares, etc. As empresas e os profissionais de diferentes setores da economia começam a utilizar de forma mais massivas estes dispositivos para agilizar os processos e oferecer mobilidade aos seus profissionais. No jornalismo começa a ser explorado de forma mais efetiva. O IBGE desde o ano passado muniu os recensiadores de palms para as pesquisas. Agora diversos restaurantes e pizzarias também adotam os smartphones e palms para os pedidos em tempo real dos clientes. Em Natal (foto acima) praticamente todos os restaurantes que frequentei durante o período da INTERCOM tinham garções com estes dispositivos para a anotação dos pedidos.
Esta constatação pode até parecer óbvia visto que o uso de tecnologias móveis está se naturalizando na vida contemporânea….

Microblogs e streaming video em coberturas jornalísticas instantâneas


Venho acompanhando o desenrolar da relação entre os microblogs, das ferramentas de streaming video e o uso de dispositivos móveis para coberturas jornalísticas. Hoje foi publicado um post no Dot.Life da BBC com um relato de cobertura do evento de música da Apple com o uso de Twitter, o aplicativo Qik, a câmera de baixo custo Flip e rede 3G . Veja trecho do relato:

  • “Along with the micro-blogging, I managed a bit of instant video, using Qik. The quality is pretty poor – it’s being streamed over a 3g network which seemed to struggle to get into the hall – but immediacy is the thing here. Apple is very controlling and bans live video relays of these events, so there is a kind of “pirate” appeal to getting the pictures out ahead of time. We now have a new BBC application which takes video straight from a mobile phone and feeds its straight to our broadcast server – but I judged these pictures did not merit that treatment.”
O post da BBC é bem próximo do artigo “Jornalismo Live Streaming: tempo real, mobilidade e espaço urbano” que apresentarei em novembro na SBPJOR. Neste artigo discuto “a incorporação pelo jornalismo de ferramentas de geração de live stream (ao vivo) na produção da notícia. Com a expansão da infra-estrutura de tecnologias móveis digitais e conexões sem fio como Wi-Fi e 3G, aliadas ao desenvolvimento de aplicativos avançados na web, o jornalismo experimenta uma interface entre a mídia de massa e a mídia de funções pós-massiva na construção do tempo real na relação com o espaço urbano e a mobilidade. A reapropriação destas ferramentas para a produção jornalística introduzem novos critérios de noticiabilidade. Compreender estas mutações são fundamentais para um enquadramento conceitual do próprio futuro do jornalismo num ambiente de convergência e de digitalização midiática.” Apresento neste paper algumas experiências brasileiras com comunicação móvel através do uso de ferramentas como o Twitter, Qik, Ustream, Justin.tv, Kyte.tv, Cover It Live, Mogulus Live Broadcast, Flixwagon. Mais a frente disponibilizarei este artigo para os interessados na temática.