Por que o jornalismo móvel se tornou praticável?


O jornalismo e mobilidade não é novo. Nem as tecnologias portáteis. Entretanto, a expansão de experiências e estudos sobre a área aumentaram consideravelmente nos últimos cinco anos devido a um fato concreto: atualmente há uma estrutura técnica e estratégica que favorece a prática do jornalismo móvel. Esta estrutura é formatada por um conjunto de tecnologias móveis digitais sofisticadas (smartphones, câmeras digitais, netbooks, etc) e conexões sem fio (3G, Wi-Fi, WiMax e Bluetooth). E tudo isto vincula-se a uma rede banda larga móvel que instaura uma mobilidade sem precedente na produção, consumo e emissão de conteúdo (áudio, vídeo, imagens e textos).
É importante demarcar esta ambiência centrada no início do século XXI, principalmente a partir de 2004 em diante, para que possamos analisar o cenário do jornalismo móvel de uma forma mais objetiva. Em 2000, 2001 alguns autores falavam do tema de uma forma incipiente e ainda na condição futura de possibilidade do desenvolvimento do jornalismo móvel como John Pavlik (2001), no livro Journalism and New Media, e Stephen Quinn (2002), no livro Knowledge Managemente in the Digital Newsroom. A tecnologia mais avançada para a prática e citada por Pavlik era um Palm Pilot com reconhecimento da escrita. O Palm Pilot lançado em 1996 tinha uma mémoria interna de 128 kb.

A década de 1990 foi promissora para a expansão dos chamados Handhelds e Palmtops. Mas no início deste século as configurações dos dispositivos (e suas interfaces) melhoraram consideravelmente em paralelo ao surgimento das conexões banda larga móvel. Neste sentido, estamos diante de práticas impensáveis há dez anos. O conceito de jornalismo móvel, na sua acepção atual, está atrelado ao uso de tecnologias móveis digitais em redes móveis para potencializar a mobilidade de repórteres na prática jornalística. O curioso notar é que as conexões 3G abriram espaço para transmissões ao vivo via celular para redes de tv. Antes era impensável esta possibilidade pela inexistência de redes móveis com capacidade de tráfego de dados pesados como vídeo. Experiências brasileiras como a da TV Band e da Tv Jornal do Recife demonstram como o futuro do streaming no celular já está aqui. Naturalmente que as redes em breve aumentaram sua capacidade de alargamento com as redes 4G com velocidades de transmissão, download ou upload muito superior à tecnologia 3G.

Ferramentas para o Repórter 3G – Atualmente surge o que se denomina de repórter 3G ou repórter móvel. O ambiente móvel de produção, constituído por inúmeras ferramentas portáteis, impulsiona a prática ao colocar à disposição do repórter em campo as condições necessárias para apurar, navegar por banco de dados, editar conteúdo e emitir do local do acontecimento. Na prática isto vem ocorrendo em algumas circunstâncias e situações. Durante a solenidade de despedida de Michael Jackson o repórter da Globo, Rodrigo Bocardi (vídeo abaixo), utilizou a mini-câmera Flip para gravar sua passagem de dentro do estádio. Os netbooks, ainda pouco utilizados pelos repórteres, podem se transformar em breve numa estação de trabalho devido a sua portabilidade (minicomputadores de 7, 9, 10 polegas) e capacidade (120, 160 de HD) oferecendo condições para atividades mais complexas de edição. O Nokia N95, N96 e N97 ainda são os celulares ideais para a prática por possui recursos mais sofisticados para o jornalismo como câmera de 5 megapixels, gravador digital, teclado bluetooth e a possibilidade de agregação de outros acessórios de produtividade. O iPhone 3GS vem com novos aperfeiçoamentos e conta com uma quantidade enorme de aplicações disponíveis o que transformará o dispositivo num podero smartphone para o jornalismo móvel.

As várias variáveis do Twitter


O jornalismo passa por diversas discussões na atualidade no âmbito do seu modelo de negócios, da relação com a audiência, das grades curriculares dos cursos, da formação profissional. O background desta discussão decorre da emergência das tecnologias digitais, do processo de convergência e da comunicação móvel. Alguns visualizam como uma crise, outros como novas oportunidades. O importante a observar é que, de fato, há mudanças significativas na prática jornalística associadas a fenômenos emergentes impactando o modo de fazer, o modo de consumir e o modo de compartilhar notícias (nos seus diversos formatos). Qualquer que seja o ângulo identificaremos tensões no campo do jornalismo e na indústria do entretenimento.

Os microblogs, essencialmente o Twitter, têm sido um dos desencadeadores destas reconfigurações. Como o jornalismo está se adaptando e explorando estas potencialidades? Como fica a relação com a fonte quando esta lança primeiro no Twitter as informações exclusivas? É perceptível a adoção rápida desta ferramenta nos mais diversos segmentos (políticos, artistas, acadêmicos, esportistas, mídia….) e isto transforma as relações não somente entre o público, mas também com a mídia. Técnicos e dirigentes de times de futebol anunciam as informações de impacto dos seus clubes no Twitter; políticos disparam no microblog as notícias parlamentares e de votações relevantes; os usuários divulgam suas críticas positivas ou negativas de filmes e outros serviços no Twitter. Enfim, há uma infinidade de usos que transforma esta ferramenta numa poderosa rede social (e móvel) que faz circular instantaneamente um conjunto de dados que abre possibilidades de utilização inimaginável para o jornalismo, para as empresas e paraos usuários.

A influência do microblog pode ser medida por dois textos publicados esta semana: Estúdios tentam amenizar efeito do Twitter sobre bilheterias e Twitter pressiona uma mudança no foco da atividade jornalística. Ou seja: já é possível falar em mudanças nos dois setores que mais reclamam do “estrago” causado pelas mídias digitais: a indústria do entretenimento, que tenta brecar o download de músicas e filmes, mas não apresenta modelos alternativos; e do jornalismo, que atrela a crise dos jornais às novas formas de consumo de notícias.
Sem sombra de dúvidas estamos diante de um cenário que se tornou um campo fértil para pesquisas acadêmicas. E estas aumentam consideravelmente em todos os níveis: graduação, mestrado, doutorado permitindo observações as mais variadas. No livro “Blogs.com – estudos sobre blogs e comunicação” (organizado por @adriamaral, @raquelrecuero e @sandramontardo) escrevi o artigo Moblogs e Microblogs: Jornalismo e Mobilidade em que enquadrava este fenômeno do Twitter a partir da pespectiva da comunicação móvel à medida que possibilita uma atualização ou visualização através de dispositivos móveis amplificando o poder da rede e sua incorporação na rotina jornalística. A ampliação desta discussão poderá ser encontrada em breve no livro “Metamorfose jornalística 2: a reconfiguração da forma”, que organizei com o amigo @dsoster, e será publicado no final do ano com a análise destas mudanças no jornalismo a partir de diversas perspectivas de análise.

Portanto, torna-se imprenscindível novos olhares sobre a superfície do jornalismo para endereçar questões de pesquisa que possam problematizar os fenômenos que orbitam em torno destas discussões.

Entrevistas sobre cobertura móvel na RTP de Portugal

Entrevistas com os dois participantes da cobertura móvel das eleições das Européias 2009 para a RTP (Rádio e Televisão de Portugal), conforme postamos aqui. Nas entrevistas os repórteres Paulo Nuno Vicente e Rita Colaço falam sobre as fragilidades da experiência e das potencialidades na cobertura a partir de dispositivos móveis.

Via Comunicamos

30 anos do Walkman da Sony

Na última quarta-feira, o Walkman da Sony completou 30 anos. Um aparelho cobiçado por jovens da década de 80 e 90. Agora com os sofisticados iPods e iPhones o Walkman parece um dinossauro. Entretanto, na época era um dispositivo móvel analógico revolucionário com a possibilidade de carregar suas músicas em fita cassete e ouvir em mobilidade. Nostagia!!!