Equipe de 18 jornalistas da RTP em cobertura móvel de eleições

Uma equipe de 18 jornalistas da RTP (Rádio e Televisão de Portugal) e Antena 1 está realizando cobertura jornallística das Eleições Legislativas 2009 a partir do uso de celulares dentro do conceito de jornalismo móvel. As atualizações ocorrem em tempo real com transmissões ao vivo, postagem de fotos ou via Twitter. “É uma iniciativa com uma dimensão inédita em Portugal. Para além do trabalho diário que os vários jornalistas realizam para a televisão e rádio, o uso do telemóvel em tempo real, na rua, abre uma nova dimensão”, destaca matéria sobre a iniciativa.
A estrutura de cobertura móvel se utiliza de celulares 3G e das aplicações Flickr (para imagens), Qik (videos) e Twitter (para textos). Possivelmente seja esta a maior experiência de jornalismo móvel em grupos de comunicação em termos de quantidade de profissionais envolvidos (18 no total). A introdução de tecnologias móveis digitais em grandes coberturas ganha cada vez mais espaço, principalmente com o uso de celulares com tecnologia de terceira geração embarcada nos dispositivos.
No último post mostravamos a série de reportagens do Jornal da Record feita conduzida exclusivamente com um celular Nokia N95. A mobilidade e a portabilidade oferecidas pelos dispositivos móveis em redes sem fio permitem, de uma forma praticável, a emissão de conteúdo jornalístico a distância. Jornalismo-mobilidade-conexão e emissão estão numa relação mais intrínseca. E não somente os grupos de comunicação detêm estas possibilidades. O jornalismo participativo vem se apropriando dessa estrutura móvel para noticiar fatos de grande repercussão e caráter político, ativista, cultural.

Celular na produção jornalística

São muitas as práticas associadas ao celular e aos dispositivos móveis na cena contemporânea. Os estudos da comunicação móvel resultam das novas implicações que emergem deste novo contexto. Este blog, como uma espécie de diário de campo de uma pesquisa de doutorado em andamento, faz parte desta tentativa nossa de mapear e compreender este cenário a partir da perspectiva do jornalimo. Desde 2007 que observamos a introdução mais intensa de tecnologias móveis como os smartphones, netbooks e de conexões sem fio na produção jornalística como experiência ou como uso sistemático.
O programa Jornal da Record começou na última segunda-feira uma série de reportagem, denominada “deixo que eu filmo”, realizada exclusivamente a partir de um aparelho celular Nokia N95. Durante 40 dias o repórter Vinicius Dônala trabalhou nesta série que está sendo exibida esta semana (veja video abaixo). A particularidade esta no uso de celular em vez de câmeras convencionais. Para aproximar das condições reais de uma equipe jornalística de tv foram desenvolvidos alguns acessórios para uma melhor apropriação para a prática como relatado em matéria do portal da Record:


“A nova série do Jornal da Record, que vai ao ar até o próximo sábado (19), apresenta uma matéria exclusiva realizada com um aparelho de telefone celular. A equipe de reportagem da Record desenvolveu uma grua (espécie de guindaste utilizado em gravações, para movimentação da câmera em tomadas de cena do alto) e acoplou um telefone celular na ponta de um cano de PVC para realizar a captação das imagens e também para gravar as passagens (momento que o repórter aparece na matéria) de Vinícius Dônala.”

Estamos diante de um ambiente móvel de produção. As tecnologias móveis e as conexões sem fio caminham para uma integração mais afunilada com a prática jornalística. Além dos dispositivos, cada vez mais híbridos e com crescente potência computacional, há uma série de aplicações na Web que oferta novas possibilidades para repórteres em mobilidade, em campo. Mini cameras como Flip, netbooks, celulares como Nokia N97, N900, iPhones e a expansão da computação em nuvem (apesar de instabilidade das redes móveis banda larga) permite a visualização de um cenário bem distinto de, digamos, há cinco anos.
Aos profissionais de comunicação, cabe a possibilidade de novas experimentações.
Aos pesquisadores, diante desse novo fenômeno, cabe endereçar novas questões visando problematizar para compreender as implicações (potencialidades e consequências) do uso de tecnologias móveis na rotina diária do jornalismo.

Obrigado a Sidclei Sobral pela dica.

Lançamento do livro Metamorfoses Jornalisticas 2


[Replico do Blog do Dê, o post abaixo]

“A quem interessar possa: o primeiro lançamento do livro Metamorfoses jornalísticas 2: a reconfiguração da forma (Edunisc, 2009), organizado por mim e por Fernando Firmino da Silva, será realizado às 18h30 do dia 14 de novembro de 2009, um sábado, na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. O livro também será lançado no III Simpósio Nacional ABCiber, de 16 a 18 de novembro, e no 7º Encontro da SBPjor, de 25 a 27 de novembro.

Em linhas gerais, Metamorfoses jornalísticas 2: a reconfiguração da forma busca compreender não apenas o momento evolutivo em que nos encontramos, mas, principalmente, as formas e processos que se instauram a partir do cenário de profunda imersão tecnológica em que o jornalismo se encontra.

Trata-se de uma espécie de mapa por meio do qual busca-se sistematizar não apenas as mudanças que se observam nos dispositivos midiáticos-comunicacionais quando se estruturam em rede em uma escala de dimensões planetárias, mas, também, no que tange às novas formas de se exercer e estruturar o jornalismo.

O livro é composto pelos seguintes autores-pesquisadores: Alex Primo (apresentação), Lia Seixas, Raquel Recuero, Cláudio Paiva, Carlos D’Andrea, Fernando Firmino da Silva (org.), Antônio Fausto Neto, Demétrio de Azeredo Soster (org.), Jairo Ferreira, Fabiana Piccinin, Águeda Miranda Cabral, Adriana Alves Rodrigues, José Afonso Júnior, Nelia Del Bianco e Jair Giacominni.”