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QR code e jornalismo: por que essa interface ainda é tímida na mídia impressa?

A discussão em torno da sobrevivência da mídia impressa ou sobre a crise instalada sobre ela é cada vez mais recorrente no círculo acadêmico e nos grupos de comunicação. Novos modelos de negócios ou a adoção de novas tecnologias que façam o impresso renascer ou conquistar um público mais próximo de interfaces computacionais ou de celulares são apontados como saídas para o futuro. O Kindle, da Amazon, tem sido referenciado como uma das possibilidades para tal empreendimento. E por lá já estão grandes jornais dos Estados Unidos e até do Brasil – O Globo e Zero Hora – (veja lista de jornais para Kindle). Será mesmo o Kindle o salvador? O jornalismo impresso precisa realmente de uma tecnologia de distribuição salvadora ou é seu modelo de gestar os conteúdos que deve mudar? Ou ambas as coisas?

Para o analista de mídia e consultor de tecnologia e negócios, Rob Durst, em entrevista, “jornais e revistas devem parar de tratar suas publicações como produtos fixos” e pensá-los a partir da interface com o conteúdo online e móvel. Para isto ele propõe a implantação de QR Code nas publicações impressas para oferecer conteúdos extras e multimída (via leitura no celular) para seus leitores (de jornais e revistas).

“They can do this using mobile codes, which are essentially printed barcodes that readers “click on” using a camera phone—kind of like clicking on a Web link with a mouse. QR (quick response) codes are a good example. They are in widespread use throughout Asia. QR codes contain a Web address, and your phone’s browser automatically connects to that Web site when you take a picture of the code with your camera phone.”

Na entrevista Rob Durst coloca também o potencial das tecnogias de ruptura como os leitores de e-books Kindle (Amazon), O Nook (Barnes & Noble) e o tablet (da Apple). Porém ele aponta vantagens e desvantagens nessas tecnologias tácteis digitais. Entre as vantagens estão a portabilidade, a facilidade de leitura e uma conexão maior com recursos web de hiperlinks. Entretanto, ele aponta que a desvantagem ainda está no tratamento estático do e-print (transposição) que contrasta com as características dinâmicas da Web.

Os leitores de tinta eletrônica como o Kindle e o QR Code são duas formas novas de transportar a leitura de jornais para plataformas portáteis digitais que se sobrepõem ao constrangimento do papel impresso. As experiências em andamento neste campo ainda são incipientes e sem dados concretos. O caso específico do QR Code foi implantado pioneiramente no Brasil pelo Jornal A Tarde de Salvador e posteriormente outras grandes publicações adotaram o recurso como o Correio Braziliense. A pouca disseminação ou conhecimento da tecnologia nos celulares ainda é um empecilho, mas é necessário criar a cultura. O uso do QR Code na Ásia é bastante disseminado, mas no Brasil ainda é incipiente. Verificamos seu uso por aqui de forma ainda localizada, especificamente na mídia como nos jornais mencionados e em projetos acadêmicos e artísticos. Mas está cada vez mais claro que a mídia impressa precisa avançar nesse sentido para perceber a necessidade de uma interface maior com as mídias de características online.

O Celular nos parece o dispositivo mais conveniente para essa conexão, principalmente por causa dos leitores de QR Code instalado. Portanto, três questões são fundamentais apontar como se tratando de empecilhos para um uso mais sitemático dessa tecnologia: 1.Desconhecimento da tecnologia QR Code por boa parte dos usuários de celulares; 2.Planos de banda larga móvel caros; 3.Uma cultura das empresas de visualizar essa conexão entre interfaces incipiente ou com estratégias que não levem em conta a particularidade de cada mídia e uma narrativa transmidiática (como prega Jenkins no livro Cultura da Convergência).

Correio Braziliense implanta QR Code no jornal e versão móvel no novo projeto

O Correio Braziliense mudou o projeto gráfico e editorial do jornal impresso e também implementou mudanças no site. Entre as novidades estão o acesso móvel pelo m.correiobraziliense.com.br e a implantação de QR Codes no jornal impresso seguindo os passos do A Tarde de Salvador, que adotou a tecnologia em dezembro do ano passado. A partir dos códigos 2D publicados nas páginas do jornal, o usuário com aplicativo-leitor instalado em smartphones poderá acessar conteúdo multimídia (conexão impresso-celular-internet).

A Tarde lança versão móvel para iPhone

O Grupo A Tarde, de Salvador, lançou hoje a versão para iPhone de seu site móvel Mobi A Tarde e avança nas estratégias de comunicação móvel (transmissão ao vivo no carnaval, uso de QR Code e versão anterior mobile para outros smartphones). A plataforma atual, desenvolvida internamente pela equipe de profissionais do grupo, investe bem em conteúdos multimídias com a introdução de vídeos, galerias de imagens e, principalmente, áudio, pouco explorado em outros projetos similares no Brasil. A notícia em forma de áudio sempre terá seu espaço, principalmente para dispositivos móveis. O El Mundo Movil, da Espanha, por exemplo, oferece a possibilidade da navegação pelo conteúdo através do áudio acionado em um ícone na parte superior direita da home. A versão móvel para iPhone do A Tarde ficou bem amigável e competitiva. Vamos testar ao longo do tempo.

Jornal Canadense utiliza códigos de barra 2D para levar notícias ao celular

O National Post do Canadá passou a utilizar, desde o início de abril, códigos de barra 2D ScanLife na edição impressa do jornal, uma espécie de QR Code. Desta forma, um celular como iPhone munido de um aplicativo-leitor do código poderá acessar material complementar (áudio, video, imagens, páginas web). O projeto é similar ao inaugurado pelo A Tarde de Salvador em dezembro do ano passado com a tecnologia QR CODE. A diferença é que o ScanLife é proprietário, o que pode limitar a expansão do projeto. No vídeo acima é demonstrado como o leitor pode utilizar o ScanLife para a partir do jornal acessar conteúdos no celular. Mais uma vez temos aí um exemplo de interface entre uma mídia analógica e outra digital numa aproximação e interação entre plataformas objetivando a disponibilização de conteúdo jornalístico.

Veja a descrição do uso do Scanlife no National Post:

This is a Scanlife 2D barcode, and with it, the National Post is revolutionizing the way our newspaper and mobile website interact to bring you the freshest, most relevant content possible. Here’s how it works:

1. On your smartphone, go to getscanlife.com and download the free Scanlife application. (Standard data rates apply.)

2. Use the Scanlife application to take a photo (or scan) of any 2D barcode like this one in the National Post.

3. Information in the barcode will instantly direct your mobile browser to relevant content on our mobile site at m.nationalpost.com.

And that’s it! Check out our instructional video below for a more detailed tutorial on how to use Scanlife codes in the National Post.”