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Livro “Blogs.com” disponível para download

O lançamento do livro “Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação” (SP, Momento Editorial, 2009), organizado pela Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo, ocorrerá amanhã na quinta-feira, dia 22/01, durante o Campus Party, no palco CampusBlog. O prefácio é do André Lemos e posfácio de Henrique Antoun. O livro, que já está disponível completo em PDF em http://www.sobreblogs.com.br/, trata-se de uma obra imprescindível para os estudiosos de blogs e microblogs e demais variantes e está sob licença Creative Commons. Abaixo todos os autores e respectivos capítulos.
SEÇÃO I – BLOGS: DEFINIÇÕES, TIPOLOGIAS E METODOLOGIAS

  • Blogs: mapeando um objeto – Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Portella Montardo;
  • Ciberespaço e a escrita de si na contemporaneidade: repete o velho, o novo blog? – Rosa Meire Carvalho de Oliveira;
  • Teoria e método na análise de um blog: o caso Mothern – Adriana Braga;
  • A vitória de Pirro dos blogs: ubiqüidade e dispersão conceitual na web – Marcelo Träsel;
  • Práticas de blogging na blogosfera em língua alemã: resultados da pesquisa “Wie ich blogge?!” – Jan Schmidt;

SEÇÃO II – USOS E APROPRIAÇÕES DE BLOGS


  • O movimento Cansei na blogosfera: o debate nos blogs de política – Cláudio Penteado, Marcelo dos Santos e Rafael Araújo;
  • Contribuição dos blogs e avanços tecnológicos na melhoria da educação – Helaine Abreu Rosa e Octávio Islas;
  • Pedagogia dos blogs: posts sobre o uso da ferramenta no ensino de jornalismo – Rogério Christofoletti;
  • Blogosfera X Campo Jornalístico: aproximação e conseqüências – Leonardo Foletto;
  • Blogs como nova categoria de webjornalismo – Juliana Escobar;
  • Os blogs na web 2.0: publicação e organização coletiva de informação – Maria Clara Aquino;
  • Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade – Fernando Firmino da Silva

Três blogs de jornalismo – DICAS

Vou dar a dica de três blogs que gosto muito de visitar, ler e compartilhar. Um é Os Filhos da Pauta, mantido pelo professor e produtor da TV Paraíba, Leonardo Alves, pelo repórter do Correio Braziliense, Daniel Brito e pelo repórter do Imparcial, Pedro Henrique Freire. O blog versa sobre a experiência do dia-a-dia desses três profissionais com informações de bastidores (espécie de making-of da produção de suas matérias). Excelente para profissionais da comunicação e para estudantes de jornalismo que têm a curiosidade de saber como funciona as relações com as fontes, com outros profissionais e com a própria empresa de comunicação. Considero uma aula (fora de sala) de jornalismo. Vale a pena conferir.
Outro blog que sempre visito é o Reunião de Pauta, do professor e doutorando da PUC-SP, Renato Salatiel. Dicas instigantes da área de jornalismo e uma interação interessante com os alunos que compartilham os posts referentes às aulas. E outro que descobri recentemente é o Lambida Digital (lá tem uma explicação para o nome) que traz informações e notícias pertinentes do jornalismo (principalmente o digital) com discussões de interesse de alunos e professores da área. É um blog coletivo.
Acesse esses três blogs e confira você mesmo as minhas impressões.

fernando f. silva

Andrew Keen está certo?

Duas entrevistas do historiador britânico Andrew Keen, autor do atual livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture” (o culto ao amador: como a internet de hoje está matando nossa cultura) chamam a atenção. Uma é na edição atual da revista Época e outra na Folha de S.Paulo (para assinantes) de hoje. O que chama a atenção nas entrevistas é seu posicionamento contra a participação dos leitores/internautas na produção de conteúdo e uma defesa forte dos meios de comunicação de massa. Veja alguns trechos:

  • “Não vejo como a web 2.0 está democratizando a mídia, acho que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso” (na Folha de S.Paulo);
  • “Meu livro não defende que as pessoas não tenham blogs, apenas que não finjam que são substitutos da mídia tradicional ou representantes de fontes de informação confiáveis sobre o mundo. Como as pessoas saberiam da crise aérea brasileira, por exemplo, sem jornalistas profissionais? Iam ter de se basear em blogueiros, que podem ser representantes das companhias aéreas ou do governo?” (Folha de S.Paulo).
  • “Parte da mídia tradicional já foi destruída. Estamos assistindo à morte lenta da indústria da música, estamos assistindo à morte lenta dos jornais locais nos Estados Unidos. Não acho que nós viveremos num mundo sem nenhum profissional especializado em agregar informação. A questão central é a idéia de que os consumidores continuarão a pagar por conteúdo. Você já vê no mercado fonográfico que eles não vão. Mais e mais pessoas pensam que a música deve ser livre e estão roubando-a. A mídia tradicional não vai exatamente morrer, mas vai mudar dramaticamente. Os meios de comunicação de massa – que considero democráticos e onde conteúdo de qualidade é acessível pelo preço de US$ 10 ou US$ 15 para comprar um CD, assistir a um filme ou comprar um livro – talvez se tornem coisa do passado. Enquanto os utópicos digitais falam sobre democratização da mídia e do conteúdo, acredito que a conseqüência é o aparecimento de uma nova oligarquia. A tão propalada democratização, na verdade, tornará o entretenimento cutural de alta qualidade menos acessível às pessoas comuns” (revista Epoca).

A crítica construtiva sempre será válida, mas penso que os argumentos de Andrew Keen são frágeis e estão na contramão dos acontecimentos. Em vez de defender a participação do leitor/internauta prefere defender a mídia de massa. Por que a indústria fonográfica está falindo ou reformulando sua forma de atuação? Por que a mídia tradicional começa a criar projetos de jornalismo participativo? Na minha opinião tanto o jornalismo quanto a a indústria de massa estão mudando porque a internet e as diversas possibilidades colaborativas na rede estão demonstrando que as pessoas querem participar (e nunca tiveram essa participação) e querem produtos diferentes dos oferecidos.

Evidentemente que o chamado jornalismo colaborativo precisa se aperfeiçoar para corrigir distorções, mas não vejo como voltar atrás. O caminho é esse mesmo. Na semana passada Elton John disse que desejava que a internet fosse fechada para que as vendas de discos voltassem ao tempo do sucesso.

As novas tecnologias (celular, internet e novas práticas no ciberespaço) estão mudando as relações de consumo e de produção de conteúdo. É preciso perceber isto. Fechar a internet ou impedir que as pessoas participem da produção de conteúdo não é a solução e nem o ideal.

Post aberto para a discussão.

fernando f.silva