Arquivo da categoria: jornalismo cidadão

Repórter móvel via smartphone

Uma nova plataforma para o jornalismo móvel (via Vida sem Fio), da Fromdistance, que permite ao repórtér móvel em campo enviar fotos e vídeos para publicação online a partir de um smartphone. A partir de um servidor da Fromdistance, o gerenciador “MDM – (Mobile) Device Manager” controla o conteúdo enviado para publicação direta através de dispositivos móveis digitais. O MDM foi desenvolvido para repórter cidadão móvel e repórter profissional móvel. Leia mais abaixo sobre o funcionamento do gerenciador móvel e assista o vídeo:

“Reporters just record and send the media files with one click to the publisher’s mobile reporter server. The transcoding process and resizing to publisher’s needs will be automatically processed, before the files will be forwarded to the publisher’s content management system. It’s a professional end-to-end tool for publishers, media companies, content aggregators and promotions. Fromdistance’s solution offers a cost-efficient way to get video content to the Internet and TV broadcast in a powerful, easy-to-use way. Phone can be configured to send images/videos 100% automatically – only recording button needs to be pressed. However, also stories can be written around images and videos using the phone. “

Artigo sobre jornalismo móvel

Como falei em posts anteriores estive entre quinta e sábado em Aracaju, Sergipe, participando do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor. Ocorreram discussões bem interessantes sobre blogs, metodologias aplicadas ao jornalismo e mais especificamente ao estudo do jornalismo digital. Não deu para conhecer bem a cidade (com exceção da orla de Atalaia, o Mercado Municipal e o Calçadão). Estes dois últimos pontos são muito bonitos. O calçadão é o centro comercial da cidade, com a diferença que não circula veículos,o que oferece mais tranquilidade. É belíssimo. O mercado também é muito interessante com artesanato regional. Outro dia voltarei.
Estive numa mesa em que foi discutido assuntos de meu interesse sobre jornalismo open source, cibercultura, jogos eletrônicos. Meu artigo “Tecnologias Móveis na Produção Jornalística – do Circuito Alternativo ao Mainstream” está disponível aí em PDF. Discuto sobre como o jornalismo vem se apropriando dos dispositivos móveis digitais e das conexões sem fio para a produção jornalística. Analiso também o chamado jornalismo participativo. Enfim, se tiver interesse pode baixar e ler.

fernando f. silva

Mainstream media se apropriando das tecnologias e das estratégias dos amadores

Artigo de Josh Catone, do Read/WriteWeb, discute a apropriação, cooptação de repórteres cidadãos ou integração que o mainstream media utiliza na adoção das estratégias e tecnologias usadas por amadores dentro do jornalismo cidadão para suas coberturas. Primeiro o mainstream se rendeu ao uso de blogs, depois de jornalismo participativo e agora das próprias tecnologias. O assunto ganhou força nos últimos dias com a cobertura dos incêndios na Califórnia. Os canais de tv americanos e sites jornalísticos vêm convocando os repórteres amadores para participarem da construção de seus noticiários. leia trecho do Artigo de Josh Catone, do Read/WriteWeb: “It’s interesting to see how the techniques and technologies of amateur, citizen journalists are adopted, co-opted, and integrated by the mainstream media. Take blogs, for example, which earlier in this decade seemed like just an outlet for amateur web publishers. Fast forward a few years and you’ll be hard pressed to find any mainstream news source that doesn’t embrace blogging in some way — CyberJournalist.net lists 245 blogs run by mainstream news sites.”
O blog do Gjol também traz um post de Marcos Palacios abordando a questão. No dia 17 de novembro apresentarei o artigo “Tecnologias móveis na produção jornalística: do circuito alternativo ao mainstream“, no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo – SBPjor, em Aracaju, em que discuto exatamente este ponto levantado por Josh Catone. Veja alguns trechos do artigo que escrevi (posteriormente disponibilizarei na íntegra em PDF”:
  • Têm-se duas principais condições de produção jornalística a partir de dispositivos móveis: uma construída pela própria mídia convencional que adota essas tecnologias para oferecer mais mobilidade e agilidade a sua equipe de profissionais nos processos de coleta, edição e publicação das matérias; e outra capitaneada por amadores, cidadãos-repórteres, que se utilizam também dessas tecnologias para a produção e disponibilização de conteúdo com teor jornalístico para mídias do circuito alternativo como Ohmynews, Slashdot e Overmundo. Entretanto, essa última condição também é incorporada pela mídia tradicional que, reconhecendo o potencial ou a ameaça dessa produção independente, cria projetos de jornalismo participativo como o FotoRepórter ou Eu-Repórter para absorver esse conteúdo digital que está (va) disperso por ambientes abertos de blogs, moblogs, fotologs e sites sem a intervenção da mídia e que alcança níveis consideráveis de audiência nos nichos de atuação.”
  • “Diante dessas possibilidades, empresas de comunicação desenvolveram estratégias para aproveitar esse material digital (textos, fotos e vídeos) gerado por leitores em circunstâncias inusitadas e especiais em que, provavelmente, um repórter ou um fotógrafo não estará cobrindo no ato do acontecimento como acidentes, flagras, desastres. A incorporação de cidadãos-repórteres como fornecedores de conteúdo de caráter jornalístico para as empresas de comunicação é resultado das constatações de que “Os efeitos da participação do cidadão na produção de imagens com valor jornalístico são detectáveis tanto no que se refere à criação e consolidação de circuitos alternativos de circulação de informação, quanto no que diz respeito às transformações da mídia tradicional em sua convivência forçada com os novos circuitos” (PALÁCIOS; MUNHOZ, 2007, p.57). A perspectiva “gravado por um cinegrafista amador” ou “imagem de um fotógrafo amador” muda porque antes as imagens/vídeos predominantes eram registradas por profissionais com “selo” de credibilidade e somente em caso de extraordinária relevância eram utilizadas as imagens amadoras. Com a onipresença das câmeras e vídeos digitais portadas por pessoas comuns registrando imagens de teor jornalístico, as empresas se vêem forçadas a ceder e utilizar com mais freqüência essas imagens produzidas pelos usuários-produtores.”
Obrigado Débora pelo toque do artigo de Josh Catone.
fernando f.silva

Polêmicas no Jornalismo Cidadão

Volto ao assunto da produção amadora de caráter jornalístico. Com o acidente do airbus da TAM e a disseminação de fotos, textos e vídeos na “grande imprensa”, produzidos por amadores, ficou mais visível o chamado jornalismo participativo ou jornalismo cidadão constituído da colaboração de internautas. Esse recurso vem sendo utilizado pelo Globo Online, Portal Terra, Estadão, IG, Folha Online. Junto com essas contribuições vieram também as polêmicas em decorrência de algumas imagens fraudulentas manipuladas no photoshop e repassadas (de forma irresponsável) por alguns internautas como aconteceu com a Folha (que também não teve o cuidado básico de checar a veracidade da imagem) em que uma suposta vítima tentava pular do prédio da TAM em chamas. Nessa discussão uns estão defendendo o jornalismo colaborativo e outros estão se posicionando contra. Para acompanhar esse debate reuni aqui alguns posts dos contra e dos a favor para que você, leitor desse blog, possa se inteirar e tirar suas próprias conclusões. Aqui mesmo no blog – à direita – você tem uma enquete sobre o assunto. Penso que o jornalismo com a produção amadora é sem volta, mas evidentemente precisa passar por aperfeiçoamentos (que não se entenda censura) para que essas contribuições sejam de fato colaborações valiosas para a formação da opinião pública em situações em que os meios de comunicação de massa se furtam de noticiar por interesses escusos. A maioria das contribuições tem sido efetivamente positivas e abre portas para um jornalismo mais participativo. Evidentemente que quando se trata de imagens de uma tragédia como essa da TAM, envolvendo tantas vítimas, as distorções que ocorrem de pessoas que tentam se aproveitar da situação geram muita polêmica e o assunto precisa ser discutido. E você pode aproveitar este espaço para deixar também sua opinião, seu comentário. Leia: “A Internet sucumbe ao espírito de porco“, no Observatório da Imprensa; “O Jornalismo colaborativo funciona“, no Jornalistas da Web; e “Farsa em destaque“, Ombudsman da Folha Online.

fernando f. silva