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Andrew Keen está certo?

Duas entrevistas do historiador britânico Andrew Keen, autor do atual livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture” (o culto ao amador: como a internet de hoje está matando nossa cultura) chamam a atenção. Uma é na edição atual da revista Época e outra na Folha de S.Paulo (para assinantes) de hoje. O que chama a atenção nas entrevistas é seu posicionamento contra a participação dos leitores/internautas na produção de conteúdo e uma defesa forte dos meios de comunicação de massa. Veja alguns trechos:

  • “Não vejo como a web 2.0 está democratizando a mídia, acho que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso” (na Folha de S.Paulo);
  • “Meu livro não defende que as pessoas não tenham blogs, apenas que não finjam que são substitutos da mídia tradicional ou representantes de fontes de informação confiáveis sobre o mundo. Como as pessoas saberiam da crise aérea brasileira, por exemplo, sem jornalistas profissionais? Iam ter de se basear em blogueiros, que podem ser representantes das companhias aéreas ou do governo?” (Folha de S.Paulo).
  • “Parte da mídia tradicional já foi destruída. Estamos assistindo à morte lenta da indústria da música, estamos assistindo à morte lenta dos jornais locais nos Estados Unidos. Não acho que nós viveremos num mundo sem nenhum profissional especializado em agregar informação. A questão central é a idéia de que os consumidores continuarão a pagar por conteúdo. Você já vê no mercado fonográfico que eles não vão. Mais e mais pessoas pensam que a música deve ser livre e estão roubando-a. A mídia tradicional não vai exatamente morrer, mas vai mudar dramaticamente. Os meios de comunicação de massa – que considero democráticos e onde conteúdo de qualidade é acessível pelo preço de US$ 10 ou US$ 15 para comprar um CD, assistir a um filme ou comprar um livro – talvez se tornem coisa do passado. Enquanto os utópicos digitais falam sobre democratização da mídia e do conteúdo, acredito que a conseqüência é o aparecimento de uma nova oligarquia. A tão propalada democratização, na verdade, tornará o entretenimento cutural de alta qualidade menos acessível às pessoas comuns” (revista Epoca).

A crítica construtiva sempre será válida, mas penso que os argumentos de Andrew Keen são frágeis e estão na contramão dos acontecimentos. Em vez de defender a participação do leitor/internauta prefere defender a mídia de massa. Por que a indústria fonográfica está falindo ou reformulando sua forma de atuação? Por que a mídia tradicional começa a criar projetos de jornalismo participativo? Na minha opinião tanto o jornalismo quanto a a indústria de massa estão mudando porque a internet e as diversas possibilidades colaborativas na rede estão demonstrando que as pessoas querem participar (e nunca tiveram essa participação) e querem produtos diferentes dos oferecidos.

Evidentemente que o chamado jornalismo colaborativo precisa se aperfeiçoar para corrigir distorções, mas não vejo como voltar atrás. O caminho é esse mesmo. Na semana passada Elton John disse que desejava que a internet fosse fechada para que as vendas de discos voltassem ao tempo do sucesso.

As novas tecnologias (celular, internet e novas práticas no ciberespaço) estão mudando as relações de consumo e de produção de conteúdo. É preciso perceber isto. Fechar a internet ou impedir que as pessoas participem da produção de conteúdo não é a solução e nem o ideal.

Post aberto para a discussão.

fernando f.silva

Polêmicas no Jornalismo Cidadão

Volto ao assunto da produção amadora de caráter jornalístico. Com o acidente do airbus da TAM e a disseminação de fotos, textos e vídeos na “grande imprensa”, produzidos por amadores, ficou mais visível o chamado jornalismo participativo ou jornalismo cidadão constituído da colaboração de internautas. Esse recurso vem sendo utilizado pelo Globo Online, Portal Terra, Estadão, IG, Folha Online. Junto com essas contribuições vieram também as polêmicas em decorrência de algumas imagens fraudulentas manipuladas no photoshop e repassadas (de forma irresponsável) por alguns internautas como aconteceu com a Folha (que também não teve o cuidado básico de checar a veracidade da imagem) em que uma suposta vítima tentava pular do prédio da TAM em chamas. Nessa discussão uns estão defendendo o jornalismo colaborativo e outros estão se posicionando contra. Para acompanhar esse debate reuni aqui alguns posts dos contra e dos a favor para que você, leitor desse blog, possa se inteirar e tirar suas próprias conclusões. Aqui mesmo no blog – à direita – você tem uma enquete sobre o assunto. Penso que o jornalismo com a produção amadora é sem volta, mas evidentemente precisa passar por aperfeiçoamentos (que não se entenda censura) para que essas contribuições sejam de fato colaborações valiosas para a formação da opinião pública em situações em que os meios de comunicação de massa se furtam de noticiar por interesses escusos. A maioria das contribuições tem sido efetivamente positivas e abre portas para um jornalismo mais participativo. Evidentemente que quando se trata de imagens de uma tragédia como essa da TAM, envolvendo tantas vítimas, as distorções que ocorrem de pessoas que tentam se aproveitar da situação geram muita polêmica e o assunto precisa ser discutido. E você pode aproveitar este espaço para deixar também sua opinião, seu comentário. Leia: “A Internet sucumbe ao espírito de porco“, no Observatório da Imprensa; “O Jornalismo colaborativo funciona“, no Jornalistas da Web; e “Farsa em destaque“, Ombudsman da Folha Online.

fernando f. silva

Videos e fotos amadoras do acidente da TAM

É impressionante o número de fotos e vídeos produzido por amadores sobre o acidente da TAM e que estão disponíveis na Internet em sites como youtube e nos sites de jornalismo participativo como Eu-Repórter, do Globo Online; FotoRepórter, do Estadão; Minha Notícia, do IG. A maioria dessas imagens foram feitas por aparelho celular. Narrativas visuais de uma tragédia.