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Jornalistas sem redação

Depois de um tempo afastado por causa de viagens e muitas atividades acadêmicas, volto ao blog. Teremos muitas novidades por aqui, muita coisa para comentar sobre jornalismo e tecnologia. Gradativamente atualizarei o blog com diversas questões relacionadas à minha pesquisa de doutorado, a artigos publicados em livros e apresentados em eventos como forma de compartilhar com os leitores deste blog.

JORNALISTAS SEM REDAÇÃO
Para começar destaco a interessante matéria publicada esta semana pelo El País denominada “Periodistas sin redacción”. O enfoque é exatamente nos jornalistas que trabalham fora da redação produzindo todo tipo de conteúdo e enviando através de diversas conexões disponíveis e se utilizando para a execucação do trabalho de conexão à internet, computador portátil, câmeras digitais e celulares. Na matéria há depoimentos de pesquisadores como Ramón Salaverría e de profissionais que adotaram esta forma de exercer o jornalismo.

Como background está a questão da mobilidade e o fato de que dispomos hoje de uma infra-estrutura adequada para o desenvolvimento da atividade jornalística no campo, fora das redações, de onde de fato as notícias acontecem e que, de uma certa forma, a Internet paradoxalmente inverteu os processos transformando os profissionais em “jornalistas sentados” que apura tudo de frente ao desktop sem sair da redação. Com as tecnologias móveis e as inúmeras conexões disponíveis como a 3G espera-se que os repórteres voltem à rua para acompanhar de perto e com mais precisão os acontecimentos do dia-a-dia. Este fenômeno “do retorno” já começa a acontece em alguns grupos de comunicação com a adoção do modelo de jornalismo móvel.

Vale a pena ler “Periodistas sin redacción tendo em vista que em breve esta será uma realidade mais presente nos meios de comunicação com práticas mais vinculadas ao espaço urbano, à realidade dos acontecimentos. Tecnologias para o jornalismo em mobilidade já temos.

Jornalismo móvel de baixo custo

O prática do jornalismo móvel ou da produção de conteúdo (áudio, vídeo e fotos) tem sido realizada com mais frequência com a utilização de celulares sofisticados como o Nokia N95 devido a qualidade próxima a DVD com câmera de 5 megapixels a exemplo do projeto da agência Reuters. O iPhones entrou na área também. Entretanto, começam a surgir equipamentos mais acessíveis e baratos para finalidades que não exijam um registro de imagens ou vídeos em alta resolução. A Creative, dos Estados Unidos, tem disponível no mercado a Vado Pocket Video. Trata-se de uma câmera de apenas U$S 99 com capacidade de gravação de até uma hora no formato MPEG-4 e AVI com 30 quadros e armazenamento na memória interna de 2GB. É uma câmera bem portátil com peso de 84 gramas e bateria. Há outras opções no mercado com as mesmas características como a Flip e Aipitek que custam menos de U$S 200. Veja uma demonstração da Vado. Uma cobertura jornalística pode perfeitamente ser realizada com uma câmera como esta sem o medo de ser roubado e se perder uma fortuna.

Jornalismo móvel impacta redações americanas

O artigo US: mobile journalism is changing the newsroom do Editor & Publishers aborda o crescimento da introdução da prática do jornalismo móvel na mídia americana com mudanças significativas nas redações. As tecnologias móveis digitais cada vez menores, mais potentes e híbridas são responsáveis por manter repórteres em campo por mais tempo para apurar, capturar áudio, vídeo, imagens e enviar ou publicar direto do local. Acrescenta-se ao contexto as conexões sem fio de alta velocidade atualmente disponíveis como Wi-Fi, WiMAX e a tecnologia de terceira geração dos celulares (a banda larga 3G) que formatam um ambiente móvel de produção. Entretanto, alguns editores se mostram preocupados com a qualidade das notícias sem uma supervisão adequada e o preço alto de alguns equipamentos utilizados. Nos links a seguir o contexto da discussão sobre jornalismo móvel “Mojo: mobile journalism“, “US: mobile journalism is changing the newsroom“, “Jarvis: mobile journalists are getting back to gasroots“.

Vídeos sobre jornalismo móvel da Reuters

Veja alguns videos sobre o projeto da agência de notícias Reuters de Jornalismo Móvel. Nestes três videos você tem uma visão bem completa de como funciona o projeto, a partir do uso de um kit de ferramentas composto por um Nokia N95, teclado bluetooth, microfone e outros acessórios para a reportagem móvel. Diversas postagens no blog vêm relatando este projeto aqui.

AO VIVO direto do celular

Acabo de ler um artigo bastante interessante de Darren Waters, do blog dot.life, da BBC. Ele aborda em Going live from mobile uma tecnologia desenvolvida pela empresa do Vale do Silício Qik que permite a transmissão em streaming (tempo real) a partir de um celular. Para isto o próprio Darren Waters testa sua funcionalidade numa entrevista ao vivo com um dos diretores da empresa (veja o vídeo). O artigo apresenta algumas observações e questões pertinentes em torno dos telefones celulares e sua transformação em dispositivos multimídias. Em específico para esta ferramenta da Qik demonstra-se a potencialidade para uso por blogueiros, jornalistas cidadãos e profissionais do mainstream media. Leia alguns trechos do artigo:

“Mobile phones are transforming into multimedia devices. From photos to GPS and video phones are being put to extreme challenges. One Silicon Valley based firm, Qik.com, has developed a tool which turns your phone into a live broadcasting system.
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You can embed your Qik “channel” on pretty much any website and people can watch your exploits live, leave comments, or watch the video back later as it sits on Qik’s servers.
Qik is a great example of how mobile phones are taking full advantage of technologies which are collapsing into one device – multimedia capabilities, messaging, always on connections and the robustness of the phone’s operating system.
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The great strength of mobile handsets is that they transcend space and time. Video can be recorded and then played back on the net, via sites like YouTube, whenever we want.
Do we want our lives to be actually “live”? Ramu Sunkara believes we do.
I think Qik offers great potential for bloggers, citizen journalists and potentially professional broadcasters.
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My one question that keeps nagging at the back of mind though is – does the mainstream want to broadcast live from a phone? What do you think?”