Arquivo da categoria: tecnologias da mobilidade

Reportagem via celular e mobile future

A BBC nos últimos dias vem abordando com ênfase a questão do futuro móvel (mobile future) ou das tecnologias da mobilidade com suas aplicações em diversas áreas. Merece destaque uma reportagem especial em quatro séries desta semana (de 19 a 22/02): the mobile future blog: day one, the mobile future blog: day two, the mobile future blog: day three, the mobile future blog: day four.

No último dia 18 a reportagem Why the future is in your hands abordava a convergência de hardware, software e serviços para os celulares. E na semana passada, na matéria mobile video round up, foram mostrados oito videos com tecnologias móveis e usos de celulares para reportagem via celular, mapas móveis, softwares futuristas e outros produzidos sobre a Mobile World Congress 2008. Todos foram gravados através de celular pelo repórter da BBC, Rory Cellan Jones.

Cobertura da Copa de 2014

Um artigo bem instigante da jornalista Cristina Dissat no site Jornalistas da Web sobre a internet e a cobertura jornalística da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O artigo traz depoimentos de pesquisadores, blogueiros e jornalistas que apontam cenários para daqui a sete anos em torno da tecnologia e jornalismo. A questão que guia o artigo é “E como estará a Internet em 2014 para a cobertura da imprensa para a Copa do Mundo?”

Dentro da minha perspectiva de pesquisa imagino que em 2014 teremos um cobertura baseada no jornalismo móvel ou algo similar (tanto em termos de produção quanto de difusão de notícias). Com a tv digital já em funcionamento e com uma infinidade de serviços para dispositivos móveis, conexões mais velozes em banda larga nos celulares, uma infinidade de tecnologias móveis digitais (com possibilidades muito mais amplas de edição, gravação de áudio e vídeo, integração total com a web 2.0, 4.0, 6.0…), os jornalistas ou repórteres cidadãos poderão enviar diretamente dos estádios todo tipo de conteúdo com qualidade inimaginável. É difícil prever com precisão se considerarmos que as tecnologias se metamorfoseiam rapidamente, mas até lá é provável que o jornalismo, a internet e o mundo digital será bem mais complexo que o de hoje. Arriscaria duas hipóteses: o jornalista acumulará muitas funções (repórter, fotógrafo, editor de áudio, texto, imagem, vídeo) e a convergência multimídia será mais consistente.

A tecnologia é como o futebol: uma caixinha de surpresa….

Mainstream media se apropriando das tecnologias e das estratégias dos amadores

Artigo de Josh Catone, do Read/WriteWeb, discute a apropriação, cooptação de repórteres cidadãos ou integração que o mainstream media utiliza na adoção das estratégias e tecnologias usadas por amadores dentro do jornalismo cidadão para suas coberturas. Primeiro o mainstream se rendeu ao uso de blogs, depois de jornalismo participativo e agora das próprias tecnologias. O assunto ganhou força nos últimos dias com a cobertura dos incêndios na Califórnia. Os canais de tv americanos e sites jornalísticos vêm convocando os repórteres amadores para participarem da construção de seus noticiários. leia trecho do Artigo de Josh Catone, do Read/WriteWeb: “It’s interesting to see how the techniques and technologies of amateur, citizen journalists are adopted, co-opted, and integrated by the mainstream media. Take blogs, for example, which earlier in this decade seemed like just an outlet for amateur web publishers. Fast forward a few years and you’ll be hard pressed to find any mainstream news source that doesn’t embrace blogging in some way — CyberJournalist.net lists 245 blogs run by mainstream news sites.”
O blog do Gjol também traz um post de Marcos Palacios abordando a questão. No dia 17 de novembro apresentarei o artigo “Tecnologias móveis na produção jornalística: do circuito alternativo ao mainstream“, no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo – SBPjor, em Aracaju, em que discuto exatamente este ponto levantado por Josh Catone. Veja alguns trechos do artigo que escrevi (posteriormente disponibilizarei na íntegra em PDF”:
  • Têm-se duas principais condições de produção jornalística a partir de dispositivos móveis: uma construída pela própria mídia convencional que adota essas tecnologias para oferecer mais mobilidade e agilidade a sua equipe de profissionais nos processos de coleta, edição e publicação das matérias; e outra capitaneada por amadores, cidadãos-repórteres, que se utilizam também dessas tecnologias para a produção e disponibilização de conteúdo com teor jornalístico para mídias do circuito alternativo como Ohmynews, Slashdot e Overmundo. Entretanto, essa última condição também é incorporada pela mídia tradicional que, reconhecendo o potencial ou a ameaça dessa produção independente, cria projetos de jornalismo participativo como o FotoRepórter ou Eu-Repórter para absorver esse conteúdo digital que está (va) disperso por ambientes abertos de blogs, moblogs, fotologs e sites sem a intervenção da mídia e que alcança níveis consideráveis de audiência nos nichos de atuação.”
  • “Diante dessas possibilidades, empresas de comunicação desenvolveram estratégias para aproveitar esse material digital (textos, fotos e vídeos) gerado por leitores em circunstâncias inusitadas e especiais em que, provavelmente, um repórter ou um fotógrafo não estará cobrindo no ato do acontecimento como acidentes, flagras, desastres. A incorporação de cidadãos-repórteres como fornecedores de conteúdo de caráter jornalístico para as empresas de comunicação é resultado das constatações de que “Os efeitos da participação do cidadão na produção de imagens com valor jornalístico são detectáveis tanto no que se refere à criação e consolidação de circuitos alternativos de circulação de informação, quanto no que diz respeito às transformações da mídia tradicional em sua convivência forçada com os novos circuitos” (PALÁCIOS; MUNHOZ, 2007, p.57). A perspectiva “gravado por um cinegrafista amador” ou “imagem de um fotógrafo amador” muda porque antes as imagens/vídeos predominantes eram registradas por profissionais com “selo” de credibilidade e somente em caso de extraordinária relevância eram utilizadas as imagens amadoras. Com a onipresença das câmeras e vídeos digitais portadas por pessoas comuns registrando imagens de teor jornalístico, as empresas se vêem forçadas a ceder e utilizar com mais freqüência essas imagens produzidas pelos usuários-produtores.”
Obrigado Débora pelo toque do artigo de Josh Catone.
fernando f.silva