Mainstream media se apropriando das tecnologias e das estratégias dos amadores

Artigo de Josh Catone, do Read/WriteWeb, discute a apropriação, cooptação de repórteres cidadãos ou integração que o mainstream media utiliza na adoção das estratégias e tecnologias usadas por amadores dentro do jornalismo cidadão para suas coberturas. Primeiro o mainstream se rendeu ao uso de blogs, depois de jornalismo participativo e agora das próprias tecnologias. O assunto ganhou força nos últimos dias com a cobertura dos incêndios na Califórnia. Os canais de tv americanos e sites jornalísticos vêm convocando os repórteres amadores para participarem da construção de seus noticiários. leia trecho do Artigo de Josh Catone, do Read/WriteWeb: “It’s interesting to see how the techniques and technologies of amateur, citizen journalists are adopted, co-opted, and integrated by the mainstream media. Take blogs, for example, which earlier in this decade seemed like just an outlet for amateur web publishers. Fast forward a few years and you’ll be hard pressed to find any mainstream news source that doesn’t embrace blogging in some way — CyberJournalist.net lists 245 blogs run by mainstream news sites.”
O blog do Gjol também traz um post de Marcos Palacios abordando a questão. No dia 17 de novembro apresentarei o artigo “Tecnologias móveis na produção jornalística: do circuito alternativo ao mainstream“, no Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo – SBPjor, em Aracaju, em que discuto exatamente este ponto levantado por Josh Catone. Veja alguns trechos do artigo que escrevi (posteriormente disponibilizarei na íntegra em PDF”:
  • Têm-se duas principais condições de produção jornalística a partir de dispositivos móveis: uma construída pela própria mídia convencional que adota essas tecnologias para oferecer mais mobilidade e agilidade a sua equipe de profissionais nos processos de coleta, edição e publicação das matérias; e outra capitaneada por amadores, cidadãos-repórteres, que se utilizam também dessas tecnologias para a produção e disponibilização de conteúdo com teor jornalístico para mídias do circuito alternativo como Ohmynews, Slashdot e Overmundo. Entretanto, essa última condição também é incorporada pela mídia tradicional que, reconhecendo o potencial ou a ameaça dessa produção independente, cria projetos de jornalismo participativo como o FotoRepórter ou Eu-Repórter para absorver esse conteúdo digital que está (va) disperso por ambientes abertos de blogs, moblogs, fotologs e sites sem a intervenção da mídia e que alcança níveis consideráveis de audiência nos nichos de atuação.”
  • “Diante dessas possibilidades, empresas de comunicação desenvolveram estratégias para aproveitar esse material digital (textos, fotos e vídeos) gerado por leitores em circunstâncias inusitadas e especiais em que, provavelmente, um repórter ou um fotógrafo não estará cobrindo no ato do acontecimento como acidentes, flagras, desastres. A incorporação de cidadãos-repórteres como fornecedores de conteúdo de caráter jornalístico para as empresas de comunicação é resultado das constatações de que “Os efeitos da participação do cidadão na produção de imagens com valor jornalístico são detectáveis tanto no que se refere à criação e consolidação de circuitos alternativos de circulação de informação, quanto no que diz respeito às transformações da mídia tradicional em sua convivência forçada com os novos circuitos” (PALÁCIOS; MUNHOZ, 2007, p.57). A perspectiva “gravado por um cinegrafista amador” ou “imagem de um fotógrafo amador” muda porque antes as imagens/vídeos predominantes eram registradas por profissionais com “selo” de credibilidade e somente em caso de extraordinária relevância eram utilizadas as imagens amadoras. Com a onipresença das câmeras e vídeos digitais portadas por pessoas comuns registrando imagens de teor jornalístico, as empresas se vêem forçadas a ceder e utilizar com mais freqüência essas imagens produzidas pelos usuários-produtores.”
Obrigado Débora pelo toque do artigo de Josh Catone.
fernando f.silva